quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Quem sou eu, afinal?


Sou Joselito Nascimento Otílio, nasci no dia 06 de maio de 1980, na cidade de Pau Brasil/BA. Sou filho de José Otílio Filho, que tinha como profissão de carpinteiro com muito louvor e Dinalva Maria do Nascimento, doméstica. Ambos também trabalhadores rurais. Ambos in memorian!

Como tudo começou? 

Em 1989, comecei a dá meus primeiros passos na minha educação. Tive a honra e o privilégio de dá os meus primeiros passos neste universo que mudaria a minha vida por completo, na Escola Bernadeth Freitas de Araújo, no ano de 1989, cursando o ABC e na época, com a minha primeira professora Jovelina Amorim, porém no mesmo ano, fui promovido para a Cartilha, porque diziam que eu estava adiantado. (Que coisa boa de se trazer a memória). Aí já fui estudar com a professora Miriam, um amor de pessoa que também me ensinou o melhor de sim. Em 1990, fui aprovado para a primeira série e fui estudar com a professora Nilda Alexandre Leite. Uma professora tão excelente quanto as demais.  
Um sonho: Um dia publicar um livro porque aquele universo já me encantara! As letras pareciam mágicas e na medida que uma ia juntando com a outra, ia se transformando em sílabas, pequenas palavras, frases, pequenos textos e por fim, lindos textos que formariam livros. Foi aí que decidir que um dia eu também lançaria um livro. Isso, em 1989 quando tive o meu primeiro contato com as letras.
Momentos difíceis: A perda do meu pai em 1990. Algo que não esperávamos.
A morte: Havia perto da nossa casa e há até hoje, um prédio velho e o dono convidou meu pai para fazer uma cerca em volta de da sua construção e ele então aceitou. No dia que ele começou estava chovendo e neste dia ele também estava brigado com mãe. Começou o seu trabalho. Foi o dia todo, mas no final de tarde já havia terminado, mas ele estava todo ensopado da chuva. Molhado do jeito que estava, ele foi direto para a beira do fogão a lenha pra torrar o café (hábito dele). Após algumas horas tomando todo aquele calor, ele terminou de torrar, esperou esfriar, fez todo o processo no pilão de pisar o café, cessar, e ainda acabou coando para dali já tomarmos. Lembrando que ele permanecia brigado com mãe e molhado. Ele achou que estava pouco, acabou tomando sua primeira dose de café em pé na porta, tomando um pouco do sereno que entrava pela porta da nossa antiga casa de taipa. Anoiteceu e na nossa casa não tinha energia. Meu pai, então fez como era de costume uma fogueira no meio da casa que era de chão batido e sentou conosco ao seu redor. Mãe como também já era hábito, fez a nossa janta e me lembro como hoje. Ovo cozido com farinha, molho de pimenta verde e café. Era o que tinha pra aquela noite. Todos recebemos e começamos a comer. Depois da janta, brincamos um pouco e quando fomos dormir, meu pai foi se levantar e já não aguentou mais de tanta dor de cabeça de uma hora pra outra. Restou-nos apenas o nosso desespero. Mãe e meus irmãos mais velho foram levantar ele e tentou levá-lo ao hospital, mas como bom velho bruto, preferiu não ir. Em nós, veio o medo de perdermos ele. Foi a noite toda tomando chá e sentindo dores. Até que quando o dia amanheceu, mãe levou mesmo contra a vontade dele ao hospital em Camaca/BA, onde acabou ficando enterrado por mais de uma semana. Agora imagine o nosso medo dele morrer? Só pra você ter uma noção, já éramos em 9 irmãos. Eu tinha dez anos na época. Uma semana no hospital e o clima era de incertezas. Até que após esta semana, ele recebeu alta e voltou pra casa. Passou uma semana de repouso. Até que depois de uma semana ele passou mal de novo e teve que ser levado as pressas para o hospital outra vez. Passou mais uma semana internado. Foi então que ele melhorou um pouco e conversou com mãe como nunca tinha conversado. Ele era bruto, calado, não era muito de conversa, mas naquele dia havia algo diferente. Até mãe estranhou. Ela voltou pra casa após aquela conversa e ele ficou lá. Ela estava amargurada e com medo também de que algo pior acontecesse. E o pior aconteceu. Naquela mesma noite, ela teve um sonho com ele passando por entre a cortina da porta e ela levantou chorando. Levantamos assustados também, e foi então que ela disse que meu pai havia morrido. Ninguém acreditou naquela besteira que ela estava falando, mas ela insistia. O dia terminou de amanhecer e lá foi ela com meu irmão mais velho que eu, chamado Adenilson buscar o tal corpo. E não é que ela estava certa. Realmente meu pai havia falecido naquela noite. Eis aí a maior das tragédias naquele dia 19 de agosto de 1990. Mãe ficou com 9 filhos e descobriu que estava grávida da minha irmã caçula, Miriam.
Agora era preciso seguir em frente. Mãe com seus nove filhos, trabalhava na fazendo ao lado de Firme Abreu, na roça, ajudava a gerente da fazenda também nas coisas da casa. Trazia pra casa, frutas, verduras, ganhava sempre frangos porque eles criavam muito. Um dos meus irmãos vendia leite nas ruas, eu vendia geladinho e também pegava carrego na feira, minha irmã Neinha tinha 11 anos mas já trabalhava como empregada doméstica na casa da vizinha. E assim fomos levando a vida!
Momentos difíceis: Chegamos a passar necessidades. Não contamos as vezes que mãe cozinhava um ovo e dividia em dez partes para cada um de nós e dividia meio litro de farinha pra cada um de nós. Confesso que foram nestes momentos que mais sentíamos falta de meu pai porque até então não tínhamos passado necessidades assim!
Mas a vida precisa seguir em frente. Mesmo em meio as dificuldades, Deus não nos abandonou. Sempre supria a nossas necessidades. E em meio a estas lutas, os meses foram passando. Na escola eu fui aprovado para a segunda série, o que me deixava super feliz.
Momentos que eu não abria mão: Nunca deixava minhas TAREFAS PARA CASA sem responder. A primeira coisa que eu fazia quando chegava da escola, eram minhas atividades. E quanto mais eu fazia isso, mais eu me sentia realizado.  Finalmente dezembro. E eu aprovado, além dos meus outros dois irmãos que estudavam também, Adenilson e Neinha.
E agora? Quais eram as perspectivas para o ano vindouro?
Nossas férias eram sempre regadas a roça, buscar lenha, apanhar por conta das brigas dentro de casa toda hora. Kkkkkkkkk.
No dia 18 de janeiro daquele ano, mãe deu a luz a uma linda criança e pôs o nome de Miriam. De fato, ela trouxe muitas alegrias pra todos nós. Miriam, era uma guerreira, pois o seu futuro prometia ser duríssimo, já que ela era órfã de pai, o que mais poderia lhe acontecer de tão grave.
No início de janeiro graças a Deus, mãe começou a receber a pensão por morte de meu pai, o que facilitou pra cada um de nós porque agora já não passaríamos mais necessidades, como antes.
Neste mesmo período, mãe começou a congregar na Primeira Igreja Batista de Pau Brasil e Deus usou tantas pessoas ali pra nos ajudar, nos abençoar.
Neste mesmo período, Deus usou a família de seu Alzirinha na Primeira Batista para juntamente com o Pr Júlio Rosa e família, e um vereador chamado Juvenal (in memoria) para construir a nossa casa que antes era de taipa. Começamos aquele ano super bem. Casa nova, pensão. Mas os desafios continuavam. Louvo a Deus porque ele nunca nos desamparou em momento nenhum. Continuei estudando e dando o meu melhor. Sempre sendo aprovado na escola, sempre dando o meu melhor.
Eu não queria me distanciar do meu grande sonho, de crescer, de me tornar professor, de lançar meu livro. De ajudar minha família. De ser realizado.
Algo que eu detestava: Eu não suportava roça, meu lance era estudar porque eu sempre acreditava que estudando eu poderia fazer mais por minha família. Sempre fiz o impossível para estudar, só que as vezes mãe e meus irmãos mais velhos não entendiam este meu desejo. Não conto as vezes que pra eles, era melhor ir buscar lenha ou fazer qualquer outra coisa. Quantas vezes eu ouvir que escola não ia me dá nada. Com isso, eu só era impulsionado a ir além, a querer realizar meus sonhos. Não conto as vezes que eu ia com eles, mas as vezes eu inventava que ia fazer xixi ou algo do tipo e ia atrás de alguma árvore grossa e como eles não estava me observando, eu saia na carreira cacau a fora que ninguém me pegava, porque eu corria como foguete, tudo isso pra não perder aula, mas quando eu chegava da escola e eles já haviam chegado da roça, como diz no nosso interior, o cacau caía e eu apanhava de ficar assinalado.  Não conto as vezes que esta cena se repetia, mas eu sabia onde eu queria chegar e era através da educação. Hoje quando olho pra trás, eu compreendo tantas coisas, e fico muito feliz por ver que em momento algum Deus não me desamparou. Deus é lindo!



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