sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Afinal, o que tem me inspirado ao longo da minha vida?


Planejamento
·         Como você planeja seus livros antes de escrevê-los? Você organiza todo o projeto em sua mente com antecedência ou deixa ser surpreendido à medida que escreve?
Eu começo a escrever e depois vou dando formas. Como até então lancei apenas um de Poemas, é mais fácil de certa forma. Mas tenho outros escritos e certa de forma não foi tão fácil assim rascunhá-los. Porque ele foi todo escrito a mão e depois digitado e mais uma vez terá que ser revisado quando for lançado. E quando vou revisando, vou retirando fragmentos, incluindo outros e por aí vai. Quando planejo escrever algo que não é da linha de poemas, primeiro eu faço uma seleção dos casos que devem ser incluídos naquele livro, as histórias principais que me aconteceram ou até mesmo são relevantes pra fazer parte daquele projeto. Depois disso, aí vou começar e escrita de fato. Pego minha garrafa de café, meu notebook, um bom instrumental e mãos a obra. Deixo o celular no silencioso e por favor se o mundo se acabar, avise que estou ocupado e não posso parar. (risos)

·         Você costuma ler tudo antes e só então escreve, de uma vez?
Costumo escrever logo tudo para depois voltar e fazer a leitura. Porque eu compreendo que no primeiro momento eu preciso colocar tudo no papel pra depois de fato, ver o que fica ou não fica no livro.

·         Você vai escrevendo na medida em que lê ou espera acumular fichamentos e notas?
Vou escrevendo sem me preocupar com acúmulo de fichamento. Mas mesmo assim, já sei mais ou menos como terminar aquela história.

Primeiros passos
·         Que conselhos você daria a um jovem escritor?
Escreva, escreva, escreva! Leia bastante sobre tudo. Religião, ciências, política, dicionários, clássicos da literatura, romances, ficções... etc! Leia sobre tudo porque só vai enriquecer o te vocabulário e os teus textos. E na medida que você vai lendo você vai se dedicando e descobrindo o seu estilo e quando descobrir o seu estilo, leia mais ainda voltado para ele. É maravilhoso o universo da leitura porque quem ler não se limita e mesmo sem um centavo no bolso você conhece o mundo, você passeia no universo, você desvenda mistérios, encontra outros... É indefinível este universo.

·         Como você desenvolveu suas habilidades de escrita?
Foi quando desenvolvi hábitos de leitura e como eu era encantando com a arte da escrita, eu simplesmente precisava de um pedaço de papel, caneta ou lápis e criava meu universo particular. Era mágico!

Curiosidades
·         Qual dos seus textos deu mais trabalho para escrever?
Muito difícil escolher um destes textos, mas um deles que pelo menos pra mim ele vem carregado de emoção, foi o poema “O dia em que eu chorei!”. Eu me lembro que neste dia eu estava muito angustiado e dentro de mim estava uma inquietude que estava tirando a minha paz. Eu estava entre algumas pessoas e queria ficar só para tentar colocar no papel aquilo que estava queimando dentro de mim e assim eu fiz. Me afastei daquelas pessoas que estavam perto de mim e tentei me concentrar, como sei que não seria fácil, simplesmente deixei as palavras ganhar forma e foi então que surgiu este poema. Eis aí na íntegra:

O dia em que eu chorei!

O dia em que eu chorei,
Não foi o dia que apanhei dos meus pais,
Não foi o dia em que não ganhei o adorado brinquedo que eu tanto quisera!
O dia em que eu chorei,
Não foi quando não fiz a viagem dos meus sonhos,
Não foi quando fui proibido de ir ao aniversário do meu melhor amigo!

O dia em que eu chorei.
Eu chorei com a alma.
Chorei com o coração sangrando.
Chorei com lágrimas queimando meu rosto a medida que iam escorrendo por minha face.
Lágrimas que rachou o meu peito
Deixando um vazio profundo,
Um vazio inexplicável!
O dia em que eu chorei,
Doeu!
Doeu, como se dentro de mim estivesse um vulcão em chamas que após o seu rompimento toda a sua larva atingiu a minha pele transpassando a minha alma.
Doeu, porque até hoje eu sinto a tua falta, mãe!
Eu sinto a tua falta, meu pai!
E como sinto SAUDADES da tua proteção,
Do teu carinho,
Do teu eterno amor!

O dia em que eu chorei,
Foi mais intenso do que eu supunha
E como consequência transformou a minha vida da forma mais brusca
Porque eu tive que me adaptar a um novo modo de vida.
Uma vida incompleta porque vocês partiram
Deixando lições que permanecerão para todo o sempre
E por isso chorei,
Por isso choro até hoje quando me lembro das doces lembranças cravadas em meu peito e gravadas em minha memória!

Este foi um dos textos mais difíceis de escrever porque eu estava numa confusão profunda dentro de mim. Tinha grandes desafios me esperando pra ser enfrentados e eu estava cuidando dos meus três irmãos menores que não tinham nada a ver com aquilo que eu estava passando. Eles estavam sobre a minha responsabilidade porque meus outros irmãos não podiam cuidar deles naquele momento e eu precisava ser forte quando estava fraco. De onde vinha a minha força? Eu me apegava muito a Deus. Nunca chorei na frente deles pra que eles não achassem que estaria sendo um fardo pra mim. Mas quantas vezes eu perguntei pra Deus porque eu tinha que assumir um papel que não era meu? Eu não era pai, eu não tinha filho nenhum e porque aquilo tudo? Tava pesado demais e em lágrimas eu cansei de dizer isso pra Deus. E depois das minhas lamurias, eu recebia um bálsamo dentro de mim dizendo: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã!” Sl 30.5 e quando o dia amanhecia, eu levantava mais forte porque quem estava me direcionando era Deus.

·         Como você concilia o trabalho acadêmico com família e vida social?
Graças a Deus que bem! Me considero dedicado naquilo que sou levado a fazer. Procuro cumprir o meu trabalho sem dá prejuízo a empresa que trabalho. Moro só, porque cada um dos meus irmãos acabaram constituindo família e partindo para lugares diferentes e sempre que posso eu os visito, mas nos falamos sempre. Tenho uma vida social ótima, graças a Deus. Participo frequentemente dos trabalhos da minha amada PIB de Pau Brasil, uma igreja que tem me ensinando a cada dia me doar mais pra o Senhor, me envolvendo com vidas que precisam se achegar a Cristo através de mim também e por aí vamos.

·         O que você faz para recarregar as baterias? Qual a sua maneira favorita de passar um dia de folga?
Sempre dou um jeito de cochilar um pouco mais quando estou de folga e quando posso, me aventuro a ir a uma linda cascata como a que temos na nossa cidade. Mergulho o máximo que posso, salto de pedras, contamos muitos casos, resenhamos até não querer mais, compartilhamos casos das nossas vidas e assim, volto mais energizado pra casa. Na natureza, eu vejo Deus encarnado cuidando de mim. Isso não tem preço!

Carreira
·         Se você não fosse um escritor e pudesse escolher qualquer emprego, profissão ou carreira, o que você faria e por quê?
Na verdade, hoje eu estou trabalhando no administrativo de uma empresa do ramo de leite (laticínio) mas eu volto pra sala de aula. Deus sabe o quanto gosto de educação. Embora não sendo valorizada como deveria, mas ainda é o melhor lugar pra você levar sonhos para crianças que por algumas perdas da vida acabaram perdendo a motivação e precisam de pessoas que elevem sua auto estima. Vejo cada uma delas como um diamante bruto que ao chegar em suas mãos, dependendo do seu comprometimento, pode transformar cada uma delas numa joia de inestimável valor. Quem me conhece sabe que não estou sendo utópico. Falo o que penso e procuro viver conforme o que falo. Um dia alguém me perguntou se de fato eu existia por escrever estas coisas e se eu acreditava em tudo que eu escrevia?... E a resposta: É óbvio que acredito piamente em tudo isso e por isso escrevo.

·         Qual trabalho você mais se orgulha de ter feito e por quê?
Quando fui professor numa aldeia indígena por sete anos na cidade de Camamu. Era na zona rural. Ficava a 13km da cidade, às vezes quando chovia carro não saía e nem entrava. Não contamos as vezes que ficávamos em energia por dias e mais dias, estradas que eram verdadeiras crateras. O maior desafio que encontrei naquele lugar, foi trabalhar com multisseriado. Uma desgraça que o governo inventou para matar sonhos de crianças que querem crescer mas são limitados e aniquilar professores que de fato tem compromisso com a educação. Meu maior desafio foi tentar fazer aquelas crianças voltar a sonhar, voltar a querer ser alguém na vida. Já eram repetentes a mais de três anos e não tinham motivações nenhuma. Até que fui pedindo a Deus estratégias e sempre trabalhava com músicas. Com entrevistas sondando a mais da vida deles, reuniões com os pais pra buscar parcerias e apoio. Foi um trabalho muito difícil, mas prazeroso. Eles começaram a ver em mim um certo apoio. Me lembro que desafiei eles a escrever um texto poema e prometi publicar num jornal pra eles veem o quanto eram importantes.  E fizemos sim o nosso poema. Entrei em contato com um jornal de Porto Seguro, contei a história e não é que conseguir que eles publicassem. Pense na felicidade? E ainda mandaram alguns exemplares pra gente. Quando eu li pra eles, vocês não tem noção de como o olho deles brilhavam. Com foi lindo tudo aquilo. Como resumo, após sete anos ali com eles, encerrei o meu ciclo porque eu precisava fazer faculdade e lá era contramão, mesmo eu fazendo a distância. Mas, juntos com meus parceiros ali, como Derneval/Servidor Público Federal e mais algumas autoridades conquistamos a reforma da escola, conjuntos professores e alunos, geladeira, computador, dentre outros benefícios e o mais importante de todos eles, preparei um aluno pra assumir a própria sala. Deus foi generoso comigo em todo o temp. Eu o louvo por isso e o amor!
Desafios
·         Quais foram alguns dos seus desafios mais difíceis na vida acadêmica?
Quando eu morava na zona rural em Camamu e por muitas vezes eu andava 13 km pra se chegar até o ponto na pista pra ir a Valença/Ba, e não importava se estava chovendo ou não. Tinha que ir. E algumas vezes também voltava a noite depois das dez horas da noite a pé de volta pra casa. Deus e eu! E quantas vezes ele não me abandonou. Mas valeu a pena!

Leitor ideal
·         Você mantém um leitor ideal em mente quando escreve?
Sim... É importante. Eu escrevo pra A, pra B e pra C e não posso decepcioná-los. Tenho que dá o meu melhor.

·         Você imagina um leitor ideal para seus livros?
Imagino sim. Imagino crianças, adolescentes e jovens lendo meus textos e se encontrando nas entrelinhas de cada um deles.

·         Você escreve para si mesmo ou para um leitor ideal?
Eu não escrevo pra mim, embora eu goste de muitos textos que escrevo. Mas quando eu escrevo, eu tenho uma meta, um objetivo e pra tais leitores. Então dou o melhor de mim.

Pessoas que me inspiram
Quem de fato viu potencial em você?
Desde o meu primeiro contato com os livros e sou eternamente grato a Beth Vieira por ter aparecido na minha vida em 1989 quando passando na rua da minha casa fazendo matrículas de alunos para a escola, ela deu de cara comigo e perguntou pra mãe se eu já estava estudando e mãe disse que não porque não tinha condições. Apenas dois irmãos meus estudavam, que era Adenilson e Lucidalva/Neinha. Eu me contentava em rasgar folhas do caderno deles pra tentar fazer meu nome e ainda apanhava porque mexia no que não era meu. Foi então que Beth decidiu fazer minha matrícula e me dá um caderninho pequeno de arame e um lápis com borracha e disse que no dia seguinte eu começaria a estudar. Velho, vocês não tem noção de como eu fiquei radiante. Eu não me separava daquele caderno por nada. Foi meu primeiro amor. Isso me deixou grato pelo resto da minha vida a Beth Vieira com uma atitude aparentemente pequena, mas que mudou toda a minha vida. Eu sei que se ela não tivesse aparecido, Deus colocaria alguém, mas ela chegou no momento que minha já precisava de um sentido. Já disse pra ela o quanto ela é importante na minha realização profissional. Isso é o que me motiva a gostar de Educação. Depois disso, tive os melhores professores do mundo que investiam tempo em mim. Jovelina Amorim, Miriam, Nilda Alexandre, Lucinete, Elialda, Maríe, Gidevaldo, Joelma Andrade, Viviane (professora de Banca) Zaira, Isa, Carla Dantas, José Carlos, Leisa Perelo, dentre tantos outros. Eu sei que não tem como citar todos aqui, mas de forma ímpar, obrigado por não desistirem de mim. Obrigado por serem bons profissionais, obrigado por não desistirem da Educação. Vocês merecem ser aplaudidos de pé.
E um detalhe especial:  Deus quando nos fez, ela já sabia do nosso potencial. Tanto é que tudo ele disse "Haja" e houve. Mas, nós, ele preferiu pegar o barro e moldar cada detalhe de um de nós, e eu fico imaginando ele já nos chamando pelo nome enquanto estava nos moldando e eu ainda sou capaz de ver as lágrimas escorrendo dos olhos dele feliz por ver que seríamos amados aqui nesta terra, que mesmo passando por algumas dificuldades era pra que nos tornássemos fortes diante das adversidades da vida. E quando finalmente ele terminou, ainda imagino que ele ficou admirado com tamanha perfeição e foi então que deu seu sopro de vida e disse: "Agora vai! E seja tão somente uma bênção! Você é parte de mim, é a minha semelhança...! Agora vá e não se afaste de mim por nada porque eu te amei primeiro!" Isso não tem preço! Eis aí a razão da minha existência, da tua existência!


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